Progressistas: abracem a Internet (antes que seja tarde), por Yasodara Córdova

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O governo bolsonaro usou as redes sociais, e o discurso da transparência, pra ganhar a presidência do Senado. É preciso que os representantes progressistas aprendam a usar a Internet.

Desde que foi eleita, Alexandra Ocasio Cortez (AOC, no twitter), tem deixado os republicanos mais conservadores de cabelos em pé. Usando muito bem as redes sociais, ocupou um espaço que os democratas estavam deixando vazio e colocou em pauta nacional, nos Estados Unidos, a taxação de grandes fortunas, por exemplo. Mas como a deputada mais jovem eleita nesse mandato conseguiu essa façanha?

an xiao mina, autora do livro “Memes to Movements”, dá algumas pistas em seu artigo para a Fast Company sobre a fórmula da congressista americana. Ela explica como Ocasio fala com seus mais de 300.000 seguidores com a tranquilidade de quem esta falando com uma amiga íntima durante um jantar em seus Stories no Instagram, e destaca o modo firme da Deputada quando busca o apoio de seus seguidores para se defender de ataques da direita. Ocasio entende muito bem a cultura da Internet e é capaz de utilizar essa metalinguagem em seu twitter, deixando seus inimigos sem fala, como quando se utilizou de um dos memes mais antigos da Internet para lacrar sobre o fato de que até os republicanos aprovam sua proposta de 70% de taxação de grandes fortunas nos EUA.

Ocasio é um respiro de renovação em um congresso viciado no dinheiro do lobby (legal) das grandes empresas, e tem mostrado como a Internet é palco de disputa, mais do que a esquerda gostaria de admitir.

No Brasil, as eleições pra presidência do Senado deram uma palhinha do que virá se a esquerda progressista não ocupar o seu espaço na Internet (uma dica: esqueçam a hashtag Lula Livre). Renan não foi derrotado por Bolsonaro, mas sim por uma narrativa épica que foi co-inventada online, sustentando o pedido de transparência do voto como o protagonista de um golpe de mestre por parte dos bolsonaristas. O mix de uma história biblica (davi vs golias) com pedidos de participação direta veio com força, e deixou todos meio atordoados — até mesmo o clã bolsonaro, que se atrapalhou no começo, mas se dobrou à Internet quando viu que poderia se aproveitar da estratégia. Daí Flávio abriu o voto e virou, novamente, o herói da Internet. Ponto pra “nova política”, ponto para o clã bolsonaro.

O que a esquerda perdeu foi a oportunidade de embarcar no discurso da transparência e abrir também os votos. Em um mix de medo e falta de experiência, os senadores ditos progressistas ficaram na esteira do seu líder Renan, um espantalho do coronelismo, ultraconectado com o que o bozo costuma chamar de “isso tudo que está aí”. Os progressistas precisam urgentemente perder o medo da Internet. Precisam blogar, tuitar mais e interagir de verdade. Não como Haddad, que depois das eleicoes mais parece a Paola Vingativa, mas se abrir para o diálogo com os seguidores, efetivamente. Conversar nos stories, no Twitter e em qualquer outro veículo possível (não descarto a invasão do Gab pela esquerda progressista do Brasil), entendendo que na Internet, as redes sociais são uma espécie de “rascunho” — onde vale inclusive pedir conselhos, sugestões e… Errar. Combina-se essa atuação na Internet com o trabalho na base, corpo a corpo, e aí quem sabe a barreira da representação em tempos de Internet possa ser vencida.

De última hora, Jorge Kajuru, concorrendo ao prêmio de maior melancia, decidiu fazer um você decide o final no Facebook e eu confesso que foi engraçado e ridículo, mas pega bem usar a internet pra conversar com seus eleitores. Tábata Amaral marcou ponto essa semana, contando no stories dela como foi a primeira semana, inclusive detalhes da sua batalha por um imóvel funcional que estava ocupado pelo filho de um deputado velho (Hildo Rocha, do MDB) e marcou pontos, apesar do MBL ter tentado inventar outra história por cima — que não colou, afinal.

É momento dos congressistas entenderem o poder da representação direta que a Internet inventou.

Não temos um website dedicado à participação política, porque a política está em todo lugar o tempo todo. Na internet, não é diferente.

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