Troféu Dom Quixote dado a Witzel mancha obra de Cervantes

witzel-genocida homenageado

Jeferson Miola                                   

O que dizer da realidade do Brasil quando um genocida assassino como o governador do Rio, Wilson Witzel, é agraciado com o Troféu Dom Quixote de La Mancha?

O mínimo que se pode afirmar é que o estágio de terror e barbárie a que a burguesia levou o Brasil consegue produzir o efeito colateral inclusive de manchar a obra magnífica e multi-centenária de Miguel de Cervantes.

A Associação dos Magistrados do Brasil noticia que o Troféu Dom Quixote [instituído em 1999 por uma tal Confraria Dom Quixote] “premia personalidades do mundo jurídico, reconhecidas pela atuação destacada em defesa da ética, da moralidade, da dignidade, da Justiça e dos direitos de cidadania” [aqui].

Francamente, mas nem com magia é possível identificar em Witzel alguém identificado com ética, moralidade, dignidade, justiça e direitos de cidadania!

A simples concessão do Troféu ao facínora seria, em si mesmo, o fim da picada; mas os absurdos não ficaram por aí.

Lê-se na página do STF [aqui] que “o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, abriu nesta quarta-feira (9) a cerimônia na qual foram homenageados os ministros Edson Fachin e Rosa Weber – com o Troféu Dom Quixote de La Mancha – e a ministra Cármen Lúcia – com a Medalha do Mérito Justiça & Cidadania. Essa é a 29ª edição da solenidade, que agracia anualmente personalidades de destaque na defesa da ética, da moralidade, da dignidade, da justiça e dos direitos da cidadania. A condecoração, oferecida pela Confraria Dom Quixote e pela revista “Justiça & Cidadania”, foi inspirada nos personagens criados pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes”.

Ora, ora, o ocupado Toffoli nunca consegue tempo de trabalho para colocar na pauta para votação do plenário do STF as urgências das urgências para tentar salvar o pouco do que pode ser resgatado do Estado de Direito, como a suspeição do bandido Sérgio Moro e a inconstitucionalidade da prisão em 2ª instância.

Apesar da ocupadíssima agenda que o impede de cuidar dos temas tocantes à Constituição, Toffoli encontra tempo, entretanto, para mesuras e rapapés dessa espécie.

Equivoca-se, porém, quem pensa que os absurdos cessam por aí, porque tem mais: o ministro Edson Fachin [o celebrado “uhu, aha, é nosso!”] e a ministra Rosa Weber, do STF, foram agraciados nesta mesma 29ª edição de concessão do Troféu, justo a que condecorou o facínora do Rio. Ah, teve também ministro do STJ merecedor da homenagem e que, como Fachin e Rosa Weber, não abdicaram de receber a “honraria” na mesma edição em que o facínora foi homenageado.

E, cereja do bolo dos absurdos, a cerimônia foi realizada nada mais nada menos que no auditório da 2ª turma do STF!

O Brasil está se tornando cada vez mais inacreditável, um esgoto que sempre pode ficar mais fétido. Ninguém tem direito de se surpreender quanto à profundidade do precipício que a burguesia pode levar o país, já considerado mundialmente um pária internacional.

[a foto é da coluna da Mônica Bergamo de 11/10/2019].

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