Professores da Economia da UFRGS propõem medidas para crise

Jeferson Miola                        

Professores e professoras da Faculdade de Economia da UFRGS publicaram hoje, 20/3, um documento com “contribuições para mitigar os efeitos [do coronavírus] sobre a sociedade brasileira” [disponível ao final].

A elaboração deste trabalho é de enorme relevância para a sociedade brasileira neste momento crítico e complexo de enfrentamento à pandemia do coronarívus que se desenrola, ainda, num contexto de relevantes dificuldades da econômica mundial.

Mapeamos iniciativas já tomadas por governos de países mais fortemente atingidos pela crise a fim de fazer conhecer as estratégias em curso e contribuir com a discussão do caso brasileiro”, afirmam os autores.

A partir deste mapeamento, são descritas soluções empregadas em países da Europa, na China, EUA, Canadá, Austrália e outros, que permitem ao Brasil responder com maior eficácia a partir do aprendizado com a experiência internacional.

Os docentes da UFRGS defendem que “é necessário reconhecer as condições excepcionais que a pandemia nos impôs, sendo inadiável agir de forma contundente para garantir o futuro”.

O trabalho analisa a economia mundial no período precedente à pandemia, e conclui que, se o cenário anterior “já não era animador, agora tende a ficar pior”.

Para os autores, “A crise tem múltiplas dimensões, todas graves e com desdobramentos que ainda não estão totalmente claros. Governos das principais economias avançadas, emergentes e em desenvolvimento estão adotando medidas de grande magnitude, que manifestam, também no plano econômico, a percepção de que o momento atual exige ações contundentes” [grifo no original].

Na seção propositiva do trabalho, os docentes da Economia da UFRGS sugerem “que os governantes considerem as 32 diretrizes” econômicas, sanitárias e de gestão estatal com “o propósito de mitigar os efeitos imediatos da pandemia e permitir uma rápida retomada da atividade econômica”.

As diretrizes sugeridas estão organizadas em 5 blocos, sendo [i] medidas imediatas para o suporte ao setor da saúde; [ii] medidas de sustentação do emprego e da renda no curto prazo enquanto durar a pandemia; [iii] Medidas para assegurar disponibilidade de serviços de utilidade pública e habitação enquanto durar a pandemia; [iv] Medida de apoio a empresas fortemente atingidas pela pandemia e de garantia do abastecimento dos bens de primeira necessidade; e, finalmente, [v] Medidas para recuperação e sustentação da economia.

Na visão dos autores, “Há um leque de experiências de políticas sociais e de crédito que foram muito bem-sucedidas e um histórico de atuação eficiente de órgãos vinculados à saúde e à segurança sanitária. Tais competências estatais precisam ser mobilizadas ativamente, tanto no curto prazo, quanto nos anos que se seguirão”.

Esta iniciativa louvável da Economia da UFRGS é um aporte essencial, possui inestimável valor para o debate público racional, pois aporta medidas importantes para o país vencer esta guerra e evitar uma catástrofe humanitária.

O trabalho da UFRGS surge no momento mais complexo que a Nação já enfrentou, com um governo federal absolutamente contrário aos interesses nacionais e sociais que, se não for capaz de produzir as respostas necessárias em tempo e forma, causará não só uma catástrofe sanitária, mas também uma catástrofe econômica e uma catástrofe humanitária.

Ler estudo aqui: Manifesto Professores FCE Corona Vírus 20mar2020

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