PDT é maior que Ciro. Gravidade do momento cobra aliança do partido do Brizola com Lula

Jeferson Miola                             

Para Bolsonaro e para as cúpulas partidarizadas das Forças Armadas que lutam para garantir a continuidade do seu projeto de poder, é fundamental levar a decisão da eleição presidencial para o segundo turno.

Apostam que na ultra polarização do segundo turno, conseguiriam captar o sentimento antipetista sedimentado no eleitorado das candidaturas do bloco anti-Lula[1] e, desse modo, poderiam emparelhar o resultado final ou, mesmo, almejar a vitória bolsonarista com a retórica do medo, ameaça e terror.

Esse seria o cenário perfeito para pretextarem fraude na apuração e provocarem a virada de mesa no que seria a versão brasileira do “Capitólio de Brasília”. Esse é o plano real: promover deliberadamente caos, tumulto e desordem para legitimar a intervenção das Forças Armadas como garantidoras da lei e da ordem.

De outra parte, para Lula e para a democracia brasileira, concretizar a vitória eleitoral do ex-presidente já no primeiro turno seria fundamental para mitigar e, quem sabe, até mesmo conter as ameaças de ruptura anunciadas pelo extremismo fascista cada vez mais armado.

Isso porque as pesquisas realizadas ao longo dos últimos 12 meses indicam que a vitória de Lula, se acontecer no primeiro turno, deverá ser com uma vantagem considerável sobre Bolsonaro. A diferença seria ao redor de 15%, equivalente a mais de 16 milhões de votos.

Uma diferença desta magnitude enfraqueceria enormemente o pretexto que Bolsonaro e as cúpulas militares inventariam para tumultuar o processo e instalar o caos.

A pesquisa Genial/Quaest [7/4] sem a candidatura de Sérgio Moro evidencia três fenômenos principais: [i] a manutenção do cenário consolidado em que Lula segue estacionário com desempenho entre 44% e 46% dos votos totais, e as candidaturas do bloco anti-Lula somadas mantêm-se também estacionárias entre 40% e 43%; [ii] o desempenho estacionário de Ciro Gomes com 6 a 7%; e [iii] a migração dos votos do eleitorado ultradireitista do Moro majoritariamente para Bolsonaro.

É improvável a hipótese de alteração desta realidade estabilizada e de empate entre Lula, com média de 45%, e todos candidatos anti-Lula, com média de 42%.

Neste cenário acirrado, a retirada da candidatura pedetista do Ciro Gomes é o fator que pode desiquilibrar e desempatar o jogo em favor da resultante democrática, que está representada na eleição do Lula já no primeiro turno.

A desistência do Ciro, nesse sentido, significaria um gesto de grandeza e de lucidez política do PDT acerca da gravidade do momento histórico do Brasil. Uma atitude que contribuiria decisivamente para a decisão da eleição no primeiro turno e com enorme vantagem de votos do Lula em relação a Bolsonaro.

A manutenção da candidatura pedetista, de outra parte, terá como efeito principal, senão exclusivo, propiciar a concretização do desejo do Bolsonaro e das Milícias Fardadas travestidas de Forças Armadas, que desejam ardorosamente levar a eleição para dois turnos para, com isso, poderem colocar em prática o plano conspirativo.

O PDT é muito maior que Ciro.

Custa, por isso, assimilar a ideia de que Ciro possa ser a causa principal do afastamento entre o PDT, Lula e o PT. Na resistência ao golpe e na oposição aos governos do usurpador Temer e do Bolsonaro, os dois partidos atuaram na Câmara dos Deputados com maior identidade política e programática entre si do que deles com o PSB que abriga o vice Geraldo Alckmin.

Nas votações de temas cruciais neste período, como o impeachment fraudulento da presidente Dilma, a reforma trabalhista, o BC independente e outras matérias, a bancada do PDT discrepou menos do PT que o PSB discrepou, como se observa na tabela:

votos pdt e psb

Esta circunstância histórica do Brasil, de ameaça de avanço da contrarrevolução fascista do bolsonarismo, convoca todos os setores democráticos, mas especialmente aqueles partidos políticos com vínculos e extratos populares, como é o PDT, a se associarem na tarefa imperativa de se unir para deter o fascismo e salvar o Brasil do precipício infernal.

O PDT é muito, mas muito maior mesmo que Ciro. O PDT foi criado por ninguém menos que o memorável Leonel Brizola.

Se Brizola estivesse vivo, dificilmente o país estaria onde e como hoje se encontra. Em toda trajetória de vida, Brizola foi irredutível na resistência democrática e no combate à ditadura. E, se Brizola estivesse vivo, ele estaria irmanado com Lula para tirar o país desta encruzilhada ameaçadora em que se encontra.

Brizola sempre esteve de braços dados com Lula nos momentos mais cruciais da política brasileira nos últimos 40 anos. A união entre o brizolismo e o lulismo nunca foi tão essencial e decisivo para as próximas décadas como será na eleição de 2 de outubro. A gravidade desse momento cobra uma aliança estratégica e histórica do partido do Brizola, o PDT, com Lula e seu partido, o PT.

[1] além do próprio Bolsonaro, conformam o que considero o bloco anti-Lula as candidaturas de Ciro Gomes, Simone Tebet, Doria/Leite, outras inexpressivas e, inclusive, Sérgio Moro, se retomar candidatura presidencial.

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